1908 · Estados Unidos

A Ford lança o Modelo T

O T é concebido como carro barato e resistente. A produção em massa viria na linha de 1913; 1908 define o produto.

Contexto

Henry Ford apresentou o Model T em 1908. Projeto simples, peças robustas e, em poucos anos, preço descendente. O automóvel deixa o nicho Benz e aponta para o fazendeiro e o operário dos EUA. Sem Spindletop e sem aço barato, o T não existiria. Sem o T, a linha de montagem não teria objeto.

O desenrolar

Henry Ford apresentou o Model T em 1908. O projeto era simples, as peças robustas; em poucos anos o preço desceria com a linha. O automóvel deixou o nicho do Patent-Motorwagen e apontou para o fazendeiro e o operário dos Estados Unidos. Sem Spindletop e sem aço barato, o T não existiria. Sem o T, a linha de montagem de Highland Park não teria objeto. A cronologia distingue o produto (1908) e o método (1913). Confundi-los comprime demais a história da produção em massa. A padronização extrema de peças já está no desenho; a esteira móvel virá depois.

Quem ganhou foi a Ford Motor Company e, progressivamente, uma camada de compradores que o carro de elite alemão não contemplava. Quem pagou, a prazo, foram as cidades do asfalto, do óleo e das emissões — e, na fábrica, os corpos que a linha ritmaria. O salário de cinco dólares é de 1914, não deste lançamento; 1908 define o chassi que esse salário reterá. O que não mudou no ano do T foi a raridade do automóvel no mundo: os Estados Unidos começam a massificar; a maior parte do planeta continua a pé e no trilho.

Fordlândia, em 1928, tentará a borracha amazônica para este mesmo chassi. O Plano de Metas importará o complexo, não o modelo específico. 1908 é o objeto da esteira. A Segunda Revolução do transporte individual ganha um nome de catálogo. Benz dera o ancestral de oficina; Ford dá o carro popular padronizado — ainda não puxado pela linha móvel, já pensado para ela.

Por que este acontecimento importa

O Modelo T define o objeto da esteira. Sem o T, Highland Park não tem o que puxar e 1913 parece engenhoca sem produto. 1908 é o ano do desenho popular padronizado, não ainda o da moving assembly line. Ford aponta para o fazendeiro e o operário; Benz permanecera na elite. Spindletop e o aço barato são condições. A cronologia do automóvel de massa precisa desta distinção: primeiro o carro que se pode sonhar em série, depois a série que o barateia. Quem funde as duas datas perde o intervalo em que o T já existe e ainda é caro.

Impactos

Econômico. Abriu o mercado de massa do transporte individual.

Social. Reorganizou moradia, lazer e, depois, o salário de cinco dólares.

Tecnológico. Padronização extrema de peças.

Impacto ambiental

Antecipa o século do asfalto, do óleo e das emissões urbanas.

Legado e encadeamento

Fordlândia tentará a borracha amazônica para este mesmo chassi; a linha de 1913 o tornará barato o bastante para mudar moradia e lazer. O que permanece é o carro popular padronizado — a ideia de que o automóvel pode ser um só, robusto, repetível. O legado de 1908 não é a esteira. É o objeto que justifica a esteira e, depois, o seringal e o complexo que o Brasil de JK instalará. Sem o T, a Segunda Revolução do passeio não tem peça-tipo. O salário de cinco dólares virá para reter quem monta este desenho, não outro.

Na linha do tempo

Para situar 1908 sem isolá-lo, esta cronologia liga o acontecimento a 1885–1886 (Karl Benz faz correr o Patent-Motorwagen); 1913 (A Ford instala a linha de montagem móvel); 1928 (A Ford funda Fordlândia na Amazônia). A leitura em conjunto evita tratar a Revolução Industrial como uma invenção solitária.